COLUNISTA - NÚDIOS CLEN


- NÚDIOS CLEN -
Escritor, 54 anos, casado, técnico em informática, foi programador de computador, professor na área de informática, colunista do Jornal "Tribuna de Betim", estudante do curso de letras. Autor de Poesias publicadas no livro de antologia, denominado: “Eldorado Vol.VIII”, bem como autor do livro: “O Enfermeiro médico”.

Prisão Perpétua

                Diariamente ouvimos reclamações afirmando que a justiça brasileira é muito lenta e branda com suas penas. Todas as pesquisas indicam que a maioria da população concorda com esta afirmação.
                A justiça expediu um mandato de prisão para um ex-jogador de futebol famoso, o qual teria sido condenado há uma pena de quatro anos de reclusão em regime semiaberto, exatamente há quinze anos. No entanto, o que mais chama a atenção é que este ex-jogador se tornou comentarista esportivo de uma emissora de televisão, mesmo com esse problema na justiça.
                Esta manchete judicial nos faz lembrar uma ocorrência acontecida, também recentemente, de um cantor famoso que ao sair da prisão parece ter feito mais sucesso do que antes.
                Sabemos que todo cidadão ao cumprir sua pena está livre, com todo merecimento, para iniciar uma nova vida; porém o problema é que somente uma minoria cumpre o que deveria cumprir, e isso se dá principalmente pela falta de cadeia para tanta gente.
                Seguindo esse raciocínio de espaço insuficiente nos presídios, acredita-se que seria melhor modificar todo o sistema ao invés de ficar tentando inutilmente prender tantas pessoas.
                Agora o país todo é um presídio.
                Ao nascer, imediatamente o cidadão será considerado culpado. Será fichado pelo crime que supostamente irá cometer e receberá uma certidão expedida pelo órgão competente informando que ele já tem problemas com a justiça. Sua pena será estipulada de no mínimo cinquenta anos.
                Sendo assim, o indivíduo já nasce condenado à prisão e não precisa se preocupar onde cumprirá sua pena e muito menos se será em regime fechado ou semiaberto.
                O governo não precisa mais pagar funcionários para prender e fiscalizar tantos bandidos, ele precisa sim é de pagá-los para libertar a todos, mas não sabe como agir, então todos continuam presos.
                Viver nessa prisão é realmente muito difícil. A desconfiança e a incerteza reinam os olhares e atitudes das pessoas. Caminhar pelas ruas sabendo que a população honesta vive misturada com a criminosa, é caminhar na insegurança e viver em um caldeirão da morte.
Então, a sugestão mais correta para se viver nesse país é justamente reservar em cada rua uma casa para servir de cadeia ou construir muitas cadeias para que os cidadãos possam morar, pois afinal, já nasceram condenados

                                                                                               Núdios Clen, Belo Horizonte/MG

 

 

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